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A chácara em que parte das vítimas morava, no Itapoã, avaliada em R$ 2 milhões, seria a motivação dos criminosos para matar a família
atualizado
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Ao longo do segundo dia do Tribunal do Júri, no caso que ficou conhecido como a maior chacina do Distrito Federal, o delegado Ricardo Viana, responsável pelas investigações, respondeu ao questionamento das defesas dos acusados informando que o crime bárbaro foi motivado por questões financeiras – no caso, uma chácara avaliada em R$ 2 milhões, localizada no Itapoã.
À época do crime, o Metrópoles esteve no terreno e obteve imagens internas do local onde viviam as vítimas Marcos Antônio Lopes de Oliveira, 54; Renata Juliene Belchior, 52; e Gabriela Belchior de Oliveira, 25. Além deles, moravam na gleba Gideon Batista de Menezes, 55 anos, e Horácio Carlos, 49, réus pelo assassinato de 10 pessoas da mesma família.
A área, de 5 hectares — equivalentes a 50 mil metros quadrados – tem cachoeira privativa e ampla extensão de capim de gado.
Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), Gideon e Horácio, que eram funcionários de Marcos, queriam o terreno para vender em seguida. O dinheiro de uma eventual venda seria dividido em R$ 500 mil para cada envolvido: Gideon, Horácio, Fabrício Silva Canhedo e Carloman dos Santos Nogueira.
O plano, então, era assassinar toda a família para tomar posse do imóvel. Inclusive três crianças foram mortas para que não houvesse herdeiros do terreno.
Veja imagens do local antes da invasão
Veja imagens do local após a invasão
Alvo de disputa judicial, o terreno, na verdade, não pertencia a Marcos. O homem, segundo os verdadeiros proprietários, teria invadido o local e se recusado sair. Por isso, desde 2020 um processo corria na Justiça para que os donos das terras pudessem retomá-la por meios legais.
Segundo Cristiano de Freitas Fernandes, advogado da família dona do terreno à época em que o crime ocorreu, o caminho que levou Marcos e a família a viverem por três anos nas terras é "repleto de ilegalidade".
Conforme havia relatado o especialista ao Metrópoles, a chácara foi adquirida pelos verdadeiros donos em 1982. Anos depois, a dona alugou a uma familiar, que ficou responsável.
Para cuidar da propriedade, foi contratado, em 2012, um funcionário para atuar como caseiro. Entretanto, seis anos depois, o homem abandonou o emprego, criou uma espécie de documento e "transferiu", por conta própria, a função para um terceiro.
Ao descobrir o que teria acontecido, os proprietários procuraram esse terceiro para cobrar que ele deixasse o lugar, mas o homem disse não ter para onde ir e pediu um tempo para procurar uma casa para morar, e os donos permitiram.
Nesse meio tempo, o homem colocou Marcos no terreno para assumir a chácara no lugar sem informar aos donos. Desde então, a vítima da chacina passou a viver no terreno.
Quando ficaram sabendo que outra pessoa estaria no imóvel, os proprietários procuraram a polícia para relatar o problema e pedir providências. Diante da recusa do homem em deixar a chácara, a família dona do terreno tentou tirar o invasor acionando a Justiça, conforme relatou o advogado da família ao Metrópoles, em 2023.
Um processo, então, arrastou-se até o fim de 2022, quando os proprietários decidiram encerrar o primeiro processo para iniciar um outro denominado espólio – conjunto de bens que formam o patrimônio de uma pessoa morta, a ser partilhado no inventário entre os herdeiros ou legatários.
"Quando encerramos esse primeiro processo para dar início a outro, acredito que Marcos teria achado que o processo teria terminado ali, e que, por isso, ele passaria a ser o dono da terra", declarou o advogado.
"O que sabemos é que ele dizia que, de fato, a propriedade era dele, o que é uma inverdade. Tudo o que aconteceu é uma verdadeira tristeza, ainda mais pelo motivo, uma vez que a família da minha cliente tem os documentos da casa que comprovam quem são os verdadeiros donos. Portanto, como poderiam vender uma propriedade que não é do Marcos, não é verdade?", finalizou Cristiano.
Maior Chacina do Distrito Federal
Segundo a PCDF, Gideon Batista de Menezes, 55 anos, e Horácio Carlos Ferreira Barbosa, 49 anos, que eram funcionários de Marcos, queriam o terreno para vender em seguida. O plano, então, era assassinar toda a família para tomar posse do imóvel.
Os criminosos começaram a planejar a chacina em outubro. No dia 23 daquele mês, alugaram o cativeiro onde manteriam as vítimas no futuro. Em dezembro, a ex-mulher de Marcos Antônio, Cláudia Regina Marques de Oliveira, 55, vendeu uma casa por R$ 200 mil. Assim, o plano dos criminosos passou a envolver, também, o restante da família de Marcos.
Em 28 de dezembro, Marcos Antônio, a esposa dele, Renata Juliene Belchior, 52, e a filha do casal, Gabriela Belchior de Oliveira, 25, foram rendidos. O primeiro a ser morto foi Marcos Antônio, no mesmo dia, segundo a PCDF.
Na data, o plano dos criminosos — Gideon; Fabrício Silva Canhedo, 34; Carlomam dos Santos Nogueira, 26; e um adolescente de 17 anos — era render as vítimas e as encaminharem ao cativeiro. Gideon, então, permitiu a entrada de Carlomam e do adolescente, para simular um roubo à chácara. Horácio Carlos estava no local e fingiu ser vítima. No entanto, Marcos Antônio teria reagido ao suposto assalto e foi baleado na nuca por Carlomam.
Depois disso, o grupo criminoso levou Marcos Antônio, Renata Juliene e Gabriela, para a casa usada como cativeiro, em Planaltina (DF).
Na mesma noite, Marcos Antônio foi esquartejado por Gideon e Horácio Carlos. A dupla enterrou a vítima em uma cova improvisada no terreno.
Durante a madrugada, no cativeiro, o adolescente entrou em pânico ao ver a brutalidade da ação, pulou o muro e fugiu do local.
4 de janeiro
Os criminosos levaram Cláudia Regina e a filha dela, Ana Beatriz Marques de Oliveira, para o local do cárcere.
O grupo conseguiu render as vítimas ao simular — com o celular de Marcos Antônio — que Gideon e Horácio Carlos ajudariam na mudança para a nova casa de Cláudia Regina, pois ela havia vendido o imóvel anterior.
Quando Cláudia Regina e a filha Ana Beatriz entraram na casa nova, acabaram rendidas por Carlomam, enquanto os demais também fingiam ser vítimas. As duas foram levadas para cativeiro.
No local do cárcere, Renata Juliene e Gabriela foram mantidas em um cômodo. Cláudia Regina e Ana Beatriz foram mantidas em outro.
12 de janeiro
Thiago Gabriel recebeu um bilhete que o chamava até a chácara no Itapoã. Os criminosos escreveram um termo usado por Marcos Antônio para tornar a mensagem convincente.
Lá, Thiago acabou rendido. A cabelereira Elizamar foi para o endereço após sair do trabalho, à noite, atraída por uma mensagem encaminhada pelos criminosos pelo celular de Thiago, com quem ela era casada. Ao chegar, também foi feita refém. A mulher estava acompanhada dos filhos pequenos.
Sem apoio do adolescente, que não quis mais participar do crime, o grupo precisou de um novo ajudante: Carlos Henrique Alves da Silva, 27, conhecido como "Galego".
De lá, os criminosos seguiram para Cristalina (GO), com Elizamar e os três filhos dela, onde asfixiaram as vítimas e queimaram o carro da cabeleireira. Thiago Gabriel ficou no cativeiro.
"Sempre nas ações de queimar corpos e levá-los para fora do DF, estavam presentes Carlomam, Horácio e Gideon. O Fabrício ficava cuidando do cativeiro", disse Ricardo Viana, delegado responsável pelo caso.
De madrugada, Carlomam, Horário Carlos e Gideon dirigiram com Renata Juliene e Gabriela, no carro de Marcos Antônio, até Unaí (MG). Lá, eles as asfixiaram e incendiaram o veículo com os corpos das vítimas dentro.
Devido às queimaduras, Gideon não participou dos outros assassinatos.
15 de janeiro
Thiago Gabriel, Cláudia Regina e Ana Beatriz deixaram o cativeiro, no Vale do Sol, em Planaltina (DF) ainda com vida. No entanto, foram levados com os criminosos para um terreno no Núcleo Rural Santos Dumont, a cerca de 5km de onde estavam, onde foram esfaqueados perto de uma cisterna. Em seguida, os assassinos jogaram os cadáveres das vítimas dentro do poço.
"Os criminosos sabiam exatamente o local onde esses corpos ficariam. A vítimas saíram da chácara com vida, e quando chegaram ao local dos assassinatos, as mulheres foram mortas por objeto cortante. Thiago foi morto por asfixia", afirmou o delegado Ricardo Viana.
"[Os corpos de] Ana Beatriz, Cláudia Regina e Thiago Gabriel foram jogados no interior da cisterna e, depois, cobertos com pedras, calhas e terra", completou.
A execução do plano durou 18 dias. Para a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), os executores da chacina formam uma associação criminosa armada.
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▸ Source Quality 4/5
Source classification (primary/secondary/tertiary), named vs anonymous, expert credentials, variety
Summary
Multiple named sources including police officials and a lawyer, but no direct primary sources from victims or perpetrators.
Findings 4
"delegado Ricardo Viana, responsável pelas investigações"
Named police official providing investigative details
Named source"Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF)"
Official police institution cited multiple times
Named source"Cristiano de Freitas Fernandes, advogado da família dona do terreno"
Named lawyer providing background on property dispute
Named source"Conforme havia relatado o especialista ao Metrópoles"
Reference to previous reporting without direct attribution
Secondary source▸ Perspective Balance 2/5
Acknowledgment of multiple viewpoints, counterarguments, and balanced presentation
Summary
Primarily presents police and prosecution perspective with minimal defense viewpoints.
Findings 3
"o delegado Ricardo Viana, responsável pelas investigações, respondeu ao questionamento das defesas dos acusados"
Mentions defense questioning but only presents police response
One sided"O plano, então, era assassinar toda a família para tomar posse do imóvel"
Presents prosecution narrative without defense counterarguments
One sided"Os criminosos começaram a planejar a chacina em outubro"
Assumes guilt without presenting alternative explanations
One sided▸ Contextual Depth 4/5
Background information, statistics, comprehensiveness of coverage
Summary
Provides substantial background on property dispute, timeline of events, and investigative details.
Findings 4
"a chácara foi adquirida pelos verdadeiros donos em 1982"
Historical context about property ownership
Background"desde 2020 um processo corria na Justiça"
Legal context about property dispute
Background"A área, de 5 hectares — equivalentes a 50 mil metros quadrados"
Specific measurements of the property
Statistic"A execução do plano durou 18 dias"
Temporal context for the crime timeline
Context indicator▸ Language Neutrality 3/5
Absence of loaded, sensationalist, or politically biased language
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Mostly neutral reporting with some emotionally charged language about the crime.
Findings 4
"o delegado Ricardo Viana, responsável pelas investigações"
Neutral professional description
Neutral language"o crime bárbaro"
Emotionally charged description of the crime
Sensationalist"a maior chacina do Distrito Federal"
Superlative language that could be sensational
Sensationalist"Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal"
Neutral attribution of information
Neutral language▸ Transparency 4/5
Author attribution, dates, methodology disclosure, quote attribution
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Clear author attribution, date, and source attribution for most claims.
Findings 2
"declarou o advogado"
Clear attribution of quote to lawyer
Quote attribution"afirmou o delegado Ricardo Viana"
Clear attribution of quote to police official
Quote attribution▸ Logical Coherence 5/5
Internal consistency of claims, absence of contradictions and unsupported causation
Summary
No logical inconsistencies detected; timeline and narrative flow coherently.
Logic Issues
Contradiction · high
Conflicting values for 'the': 5 vs 18
"Heuristic: Values conflict between P1 and P2"
Contradiction · high
Conflicting values for 'the': 5 vs 1982
"Heuristic: Values conflict between P1 and P4"
Contradiction · high
Conflicting values for 'the': 18 vs 1982
"Heuristic: Values conflict between P2 and P4"
Core Claims
"The massacre was motivated by a R$2 million ranch property dispute"
Police delegate Ricardo Viana and PCDF investigation Named secondary
"The property was illegally occupied by the victims since 2019"
Lawyer Cristiano de Freitas Fernandes representing the property owners Named secondary
"The criminals planned to kill the entire family to take possession of the property"
Police investigation and statements from delegate Ricardo Viana Named secondary
Logic Model Inspector
Inconsistencies FoundExtracted Propositions (8)
-
P1
"The property is 5 hectares (50,000 square meters) with a private waterfall"
Factual In contradiction -
P2
"The massacre occurred over 18 days in December-January 2023-2024"
Factual In contradiction -
P3
"10 people from the same family were killed"
Factual -
P4
"The property was acquired by the true owners in 1982"
Factual In contradiction -
P5
"A legal process for property recovery began in 2020"
Factual -
P6
"Property dispute causes Massacre planning"
Causal -
P7
"Victims' refusal to leave property causes Legal action by owners"
Causal -
P8
"Criminal plan causes 10 murders over 18 days"
Causal
Claim Relationships Graph
Detected Contradictions (3)
View Formal Logic Representation
=== Propositions === P1 [factual]: The property is 5 hectares (50,000 square meters) with a private waterfall P2 [factual]: The massacre occurred over 18 days in December-January 2023-2024 P3 [factual]: 10 people from the same family were killed P4 [factual]: The property was acquired by the true owners in 1982 P5 [factual]: A legal process for property recovery began in 2020 P6 [causal]: Property dispute causes Massacre planning P7 [causal]: Victims' refusal to leave property causes Legal action by owners P8 [causal]: Criminal plan causes 10 murders over 18 days === Constraints === P1 contradicts P2 Note: Conflicting values for 'the': 5 vs 18 P1 contradicts P4 Note: Conflicting values for 'the': 5 vs 1982 P2 contradicts P4 Note: Conflicting values for 'the': 18 vs 1982 === Causal Graph === property dispute -> massacre planning victims refusal to leave property -> legal action by owners criminal plan -> 10 murders over 18 days === Detected Contradictions === UNSAT: P1 AND P2 Proof: Heuristic: Values conflict between P1 and P2 UNSAT: P1 AND P4 Proof: Heuristic: Values conflict between P1 and P4 UNSAT: P2 AND P4 Proof: Heuristic: Values conflict between P2 and P4
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