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Escravização: resgatar artefatos culturais africanos ajuda na reparação de países afetados

apublica.org · Duda Sousa; Wanessa Celina · 2026-04-20 · 1,934 words
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Article
Impulsionada por uma recente resolução da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), a devolução de bens culturais africanos aos seus países de origem ganhou novo fôlego ao ser associada diretamente ao reconhecimento da escravização e do tráfico transatlântico como o crime mais grave contra a humanidade. Para especialistas ouvidos pela Agência Pública, a medida abre caminho não apenas para reparações materiais, mas para a desconstrução de narrativas históricas hegemônicas e o esclarecimento de fatos que podem gerar uma nova compreensão sobre as sociedades africanas dizimadas pelo processo de escravização e pelo tráfico transatlântico de pessoas.

Estudos reforçam a dimensão do problema. Segundo pesquisa publicada na revista acadêmica African Studies Review, mais de 90% do patrimônio cultural africano permanece fora do continente, concentrado em museus europeus e norte-americanos. Nos últimos anos, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) passou a enquadrar a restituição não apenas como uma disputa por posse, mas como um processo de justiça histórica e reconstrução de vínculos entre comunidades e memórias.

A resolução apela para a restituição de bens culturais, artefatos, documentos, manuscritos e arquivos nacionais aos países de origem com o intuito de "preservação da cultura e o gozo dos direitos culturais pelas gerações presentes e futuras", afirma a historiadora e assessora de advocacy do Movimento Negro Evangélico (MNE), Esther Silva.

É nesse ponto que a restituição de obras ganha outra dimensão. Não se trata apenas de devolver objetos, mas de mexer na forma como a história foi organizada, e por quem. Museus, lembra a diretora artística do Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab), Jamile Coelho, nasceram, muitas vezes, como espaços de acúmulo de peças obtidas em contextos de violência, saque ou desigualdade. Reverter isso implica também rever narrativas. "São espaços de guarda de memória, mas também de construção de novas histórias", diz. Na prática, devolver esses acervos significa recolocar as populações negras no centro de suas próprias produções culturais, não como objetos de estudo, mas como sujeitos da história.

Durante os anos de escravização, milhares de artefatos e obras de arte foram saqueados pelos países colonizadores, como França, Reino Unido e Portugal. Até hoje, muitos bens culturais que explicam os anos de escravidão estão mantidos em museus ou em coleções privadas, longe de seus países de origem. Com isso, existe mais uma dificuldade de povos negros, sejam africanos ou pós-diáspora, terem seu direito à memória. "Quando queremos pesquisar, principalmente aqui no Sul Global, muitas questões relacionadas à escravização, não existe esse acesso [aos documentos da época]. Se você estuda um período específico da história brasileira, você, infelizmente, só vai encontrar os documentos nas bibliotecas de Portugal, por exemplo. E tem toda uma questão financeira: como é que você vai fazer para chegar lá? A população, no geral, não tem [esse] direito?" indaga Silva.

Por que isso importa?

A resolução da ONU, assinada em março, recomenda aos Estados-membros a apresentação de desculpas pelo tráfico de escravos e a contribuir para um fundo de reparações referente ao processo histórico ocorrido desde o Século 15.

O documento também enfatiza "que as reivindicações representam um passo concreto rumo à reparação das injustiças históricas contra os africanos e as pessoas de ascendência africana".

Há alguns anos, existem movimentações de países europeus para a repatriação de obras a países africanos. Em 2022, a Alemanha devolveu mais de 1.100 dos Bronzes de Benin, saqueados no ataque britânico ao Reino de Benin em 1897 na atual Nigéria. O país também conta com mais de 40 mil objetos oriundos de Camarões, e em março deste ano, o governo alemão, junto com 16 estados, concordou em estabelecer um conselho para supervisionar a restituição de propriedades culturais e restos humanos em coleções públicas.

Em 2024, as organizações inglesas, Victoria & Albert Museum e Museu Britânico, devolveram 32 peças de ouro e prata para o Museu Palácio Manhyia em Gana, por três anos. O Senado da França, em fevereiro deste ano, em um movimento para facilitar a restituição de obras de arte, aprovou um projeto de lei que facilita a restituição de obras, agora envolvendo tanto autoridades francesas quanto representantes dos países solicitantes.

Brasil recebeu peças dos Estados Unidos

No Brasil, em janeiro deste ano, 666 peças de obras de arte afro-brasileiras foram repatriadas para o museu Muncab, a maior repatriação de obras da história do Brasil. Diferentemente de outros processos de repatriação, marcados por disputas judiciais ou impasses diplomáticos, esse começou com um gesto voluntário: duas colecionadoras norte-americanas decidiram devolver o acervo após reconhecerem sua importância histórica. A operação envolveu órgãos públicos, apoio institucional, como o da Embaixada dos Estados Unidos, e até financiamento coletivo para viabilizar o transporte. "Não foi simples, mas também não encontramos portas fechadas", conta Jamile. Para ela, o caso mostra que, quando há reconhecimento do valor simbólico dessas obras, caminhos se abrem.

Segundo a assessora do MNE, o documento que Gana protocolou enfatiza a conexão direta e espiritual que as comunidades possuem com os artefatos, e o direito à memória "que nos é negado todos os dias, mas, nesse quesito especificamente, foi negado por muito tempo", avalia Silva.

O MNE busca, por meio de pedido de abertura dos registros históricos, pesquisar a participação das igrejas protestantes no período da escravidão no Brasil e, a partir dessa abertura, cobrar um pedido de perdão oficial dessas igrejas ao povo negro brasileiro.

Esther Silva compreende que em um país onde as principais religiões são de origem cristã, seja católica ou evangélica, e em que a maioria da população é negra, a necessidade de uma retratação é fundamental. "Não faz o menor sentido que [a população negra] esteja nesses espaços que foram construídos à base [da escravidão] do seu povo", complementa. Além de um perdão oficial, o movimento também cobra uma reparação tanto financeira quanto teológica, de maneira a reconhecer as pessoas negras como líderes e representantes da igreja.

Movimento combate entraves jurídicos

Mesmo com os avanços para as restituições e a resolução assinada, isso não significa, porém, que o cenário internacional caminhe na mesma direção. Em países onde a legislação impede a devolução de acervos, como no caso de museus britânicos, o debate esbarra em limites jurídicos e políticos.

Muitos artefatos e obras, como o Leões de Tsavo, original do Quênia e exibido no Museu Field de História Natural, em Chicago, Estados Unidos, e a Pedra de Rosetta, originária do Egito, que está no Museu Britânico, em Londres, são exemplos. No caso do artefato egipcio, quando questionado pelo jornal Arnet sobre a devolução, o Museu Britânico afirmou que "não pode devolver objetos de sua coleção em caráter permanente, exceto em circunstâncias excepcionais, pois está sujeito à Lei do Museu Britânico de 1963" . As circunstâncias excepcionais do museu valem para obras que têm duplicatas e para materiais jornalísticos posteriores a 1850, contanto que haja um registro fotográfico ou que a peça seja considerada inadequada. O Museu Britânico, também possui 900 dos Bronzes de Benin, originários da Nigéria.

A devolução de artefatos culturais esbarra em uma série de obstáculos legais. Um deles é o conceito de aquisição de boa-fé. "Na época em que esses bens foram adquiridos, não havia legislação que proibisse isso, e muitas vezes não há prova objetiva de ilegitimidade dessas aquisições", explica a advogada, ativista do movimento negro e mestranda em direito pela Universidade Federal de Sergipe, Stefany Caroline. Além disso, leis de proteção ao patrimônio surgiram depois desses processos e, em muitos países, há normas que impedem a retirada de peças de coleções públicas. "Isso esbarra diretamente na soberania dos Estados", afirma.

Diante dessas limitações, a diplomacia costuma ser o caminho mais comum. "A via mais utilizada é a negociação diplomática entre os países", diz a advogada. Segundo ela, organismos como a Unesco podem atuar como mediadores, mas sem poder de obrigar decisões. "A jurisdição internacional é pouco usada, e os tribunais nacionais podem ser acionados, mas não há uma jurisprudência consolidada. Por isso, a negociação acaba sendo mais efetiva", explica.

Jamile evita generalizações, mas insiste na necessidade de negociação e mediação internacional. Mais do que isso, aponta para uma mudança de chave: enquanto objetos continuarem sendo tratados como mais importantes do que as histórias e as pessoas que os produziram, o impasse permanece. Para ela, a restituição, nesse sentido, é menos sobre o passado do que sobre o tipo de futuro que se quer construir, e quem terá o direito de narrá-lo.

Importância da resolução da ONU

A resolução é um marco histórico para a ONU e para os movimentos negros africanos e do pós-diáspora. Esther observa o reconhecimento como uma forma de honrar os passos de movimentos anteriores que lutaram pelo reconhecimento da magnitude da escravização e do tráfico transatlântico. Para ela, a resolução mudou a dinâmica mundial, "os países africanos e afro-diaspóricos, como é o Brasil, deixam de ser objetos da história contada por outros e passam a ser sujeitos que vão nomear, que vão classificar, que vão ter o direito de exigir a reparação por aquilo que sofreram", explica Silva.

Jamile Coelho compreende que a resolução da ONU não inaugura o debate, mas muda o tom da conversa. Ao reconhecer a escravidão e o tráfico transatlântico como o crime mais grave contra a humanidade, o documento tira o tema de um lugar abstrato e o recoloca no presente, onde suas consequências ainda operam. "A gente vive essas mazelas até hoje", resume. Num país como o Brasil, fundado sob essa lógica, a distância entre passado e presente é curta: pouco mais de 130 anos depois da abolição, os efeitos seguem visíveis, segundo a diretora do Muncab.

Mesmo aprovada pela Assembleia Geral, a resolução não tem efeito vinculante, ou seja, não obriga os países a adotarem medidas concretas em seus ordenamentos internos. Ainda assim, como explica a Stefany Caroline, o texto carrega um peso político e simbólico significativo, capaz de influenciar tanto a criação de leis nacionais quanto a negociação de tratados internacionais. Mais do que uma norma, a resolução funciona como um marco de pressão e direcionamento no cenário global.

Esther Silva, entende que a resolução na ONU mostra uma nova luta por independência de Gana e dos outros países afetados pela colonização em África. "Porque a gente está dando o direito, ou pedindo o direito à história, que esses povos possam escrever sua própria história", complementa. Esse peso simbólico também se traduz em ferramenta política. "Se torna um argumento forte, principalmente para os países que foram a favor", diz Stefany Caroline. No caso brasileiro, isso pode ter efeitos concretos: "se torna um argumento para usar internamente, para buscar normas de reparação com base no que preconiza essa resolução", acrescenta a advogada.

Assinada no dia 25 de março, a resolução contou com a aprovação de 123 países, e teve três votos contra, de Israel, Argentina e Estados Unidos. Os países argumentaram que a resolução poderia hierarquizar crimes e que não reconhecem um direito legal de reparações por injustiças "que não eram ilegais segundo o direito internacional à época". A votação também teve a abstenção de 52 membros da assembleia, entre eles, todos os países da União Europeia, e o Reino Unido.

Para Silva, mais que os votos contrários de Argentina, Estados Unidos e Israel na decisão, a abstenção de países que tiveram um histórico colonialista e imperialista, como os europeus, seria uma tentativa de apagar a história negra e a responsabilidade de cada um deles. "Se alguém tem direito à abstenção, implica que alguém tem direito ao silenciamento, a ser conivente e a não conhecer a sua história, de não ter o direito de conhecer de qual território veio, de qual território seus ancestrais vieram e o que é que tinha lá", conclui.

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Perspective
Context
Neutrality
Transparency
Logic
Source Quality 4/5
4/5 Score

Source classification (primary/secondary/tertiary), named vs anonymous, expert credentials, variety

Summary

Multiple named experts and sources are cited, including a historian, a museum director, and a lawyer/activist, though no primary documents or direct official statements are quoted.

Findings 5

"Esther Silva"

Historian and advocacy advisor for the Movimento Negro Evangélico (MNE) is quoted multiple times.

Named source

"Jamile Coelho"

Artistic director of the Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab) is quoted multiple times.

Named source

"Stefany Caroline"

Lawyer, activist, and master's student in law at the Federal University of Sergipe is quoted.

Named source

"Segundo pesquisa publicada na revista acadêmica African Studies Review"

Cites an academic journal as a secondary source for a statistic.

Secondary source

"afirma a historiadora e assessora de advocacy do Movimento Negro Evangélico (MNE), Esther Silva."

A named expert is used to describe the UN resolution's content, acting as a secondary interpreter of a primary document.

Tertiary source
Perspective Balance 3/5
3/5 Score

Acknowledgment of multiple viewpoints, counterarguments, and balanced presentation

Summary

The article acknowledges opposing arguments to restitution (legal barriers, opposing votes) but primarily focuses on and advocates for the pro-restitution perspective.

Findings 4

"Os países argumentaram que a resolução poderia hierarquizar crimes"

Reports the counter-argument from countries that voted against the UN resolution.

Balance indicator

"A devolução de artefatos culturais esbarra em uma série de obstáculos legais."

Acknowledges legal barriers to restitution, presenting a practical counter-perspective.

Balance indicator

"Para especialistas ouvidos pela Agência Pública, a medida abre caminho não apenas para reparações materiais, mas para a desconstrução de narrativas históricas hegemônicas"

The framing from the outset strongly aligns with the pro-restitution, reparative justice perspective.

One sided

""Não faz o menor sentido que [a população negra] esteja nesses espaços que foram construídos à base [da escravidão] do seu povo""

A quoted source presents a strong, unchallenged moral argument for restitution and apology.

One sided
Contextual Depth 4/5
4/5 Score

Background information, statistics, comprehensiveness of coverage

Summary

Provides substantial historical context, statistical data, specific examples of restitution cases, and explains the legal and diplomatic landscape.

Findings 4

"mais de 90% do patrimônio cultural africano permanece fora do continente"

Provides a key statistic from an academic journal to quantify the problem.

Statistic

"Durante os anos de escravização, milhares de artefatos e obras de arte foram saqueados pelos países colonizadores"

Provides historical background on the root cause of the issue.

Background

"Em 2022, a Alemanha devolveu mais de 1.100 dos Bronzes de Benin, saqueados no ataque britânico ao Reino de Benin em 1897 na"

Provides recent, specific examples of restitution efforts, adding concrete context.

Context indicator

"Um deles é o conceito de aquisição de boa-fé. "Na época em que esses bens foram adquiridos, não havia legislação que proibisse isso,"

Explains a key legal obstacle (good-faith acquisition) in detail.

Context indicator
Language Neutrality 4/5
4/5 Score

Absence of loaded, sensationalist, or politically biased language

Summary

Language is largely factual and descriptive, with a few instances of value-laden terms that align with the article's perspective.

Findings 5

"Estudos reforçam a dimensão do problema."

Neutral, factual statement introducing evidence.

Neutral language

"A resolução apela para a restituição de bens culturais"

Neutral description of the UN resolution's content.

Neutral language

"crime mais grave contra a humanidade"

While likely a direct quote/description of the UN resolution, the phrase is morally weighted and repeated throughout.

Left loaded

"narrativas históricas hegemônicas"

Academic/political term that carries a critical perspective on established history.

Left loaded

"contextos de violência, saque ou desigualdade"

Descriptive but uses negatively charged nouns to characterize the acquisition context.

Left loaded
Transparency 5/5
5/5 Score

Author attribution, dates, methodology disclosure, quote attribution

Summary

Full author attribution, clear date, and all quotes are directly attributed to named sources with their affiliations.

Findings 3

"afirma a historiadora e assessora de advocacy do Movimento Negro Evangélico (MNE), Esther Silva."

Quote is clearly attributed to a named source with her title and affiliation.

Quote attribution

"bra a diretora artística do Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab), Jamile Coelho, nasceram,"

Quote is clearly attributed to a named source with her title and affiliation.

Quote attribution

"explica a advogada, ativista do movimento negro e mestranda em direito pela Universidade Federal de Sergipe, Stefany Caroline."

Quote is clearly attributed to a named source with her title and affiliation.

Quote attribution
Logical Coherence 5/5
5/5 Score

Internal consistency of claims, absence of contradictions and unsupported causation

Summary

The article presents a logically consistent argument linking historical injustice, cultural theft, current restitution efforts, legal barriers, and the significance of the UN resolution.

Core Claims

"The restitution of African cultural artifacts is a crucial step for historical reparation and justice for countries affected by slavery and colonialism."

Supported by quotes from experts Esther Silva, Jamile Coelho, and Stefany Caroline, and contextualized by UN resolution and historical examples. Named secondary

"Over 90% of African cultural heritage remains outside the continent, primarily in Western museums."

Attributed to research published in the academic journal 'African Studies Review'. Named secondary

"Legal frameworks like 'good-faith acquisition' and national laws protecting public collections are major obstacles to restitution."

Explained by lawyer and activist Stefany Caroline. Named secondary

Logic Model Inspector

Consistent

Extracted Propositions (7)

  • P1

    "The UN General Assembly passed a resolution in March linking cultural restitution to slavery reparations."

    Factual
  • P2

    "Germany returned over 1,100 Benin Bronzes to Nigeria in 2022."

    Factual
  • P3

    "The UK's British Museum is subject to the British Museum Act of 1963 which restricts deaccessioning."

    Factual
  • P4

    "123 countries voted for the UN resolution, 3 against (Israel, Argentina, USA), and 52 abstained."

    Factual
  • P5

    "Historical slavery and colonialism causes Theft and displacement of cultural artifacts."

    Causal
  • P6

    "Legal obstacles (good-faith acquisition, national laws) causes Hindered restitution of artifacts."

    Causal
  • P7

    "UN resolution (political/symbolic pressure) causes May influence national laws and international negotiations on restitution."

    Causal

Claim Relationships Graph

Contradiction
Causal
Temporal
View Formal Logic Representation
=== Propositions ===
P1 [factual]: The UN General Assembly passed a resolution in March linking cultural restitution to slavery reparations.
P2 [factual]: Germany returned over 1,100 Benin Bronzes to Nigeria in 2022.
P3 [factual]: The UK's British Museum is subject to the British Museum Act of 1963 which restricts deaccessioning.
P4 [factual]: 123 countries voted for the UN resolution, 3 against (Israel, Argentina, USA), and 52 abstained.
P5 [causal]: Historical slavery and colonialism causes Theft and displacement of cultural artifacts.
P6 [causal]: Legal obstacles (good-faith acquisition, national laws) causes Hindered restitution of artifacts.
P7 [causal]: UN resolution (political/symbolic pressure) causes May influence national laws and international negotiations on restitution.

=== Causal Graph ===
historical slavery and colonialism -> theft and displacement of cultural artifacts
legal obstacles goodfaith acquisition national laws -> hindered restitution of artifacts
un resolution politicalsymbolic pressure -> may influence national laws and international negotiations on restitution

All claims are logically consistent. No contradictions, temporal issues, or circular reasoning detected.

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