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Clara Assunção
Repórter
Publicado em 23 de abril de 2026 às 18h11.
Última atualização em 23 de abril de 2026 às 18h14.
O dólar voltou a encerrar acima do patamar de R$ 5 e reacendeu o debate sobre os rumos da moeda em meio a um cenário global ainda instável diante da guerra no Irã.
Nesta quinta-feira, 23, a moeda americana firmou alta frente ao real, avançando 0,58%, cotada a R$ 5,003, voltando a ficar acima do nível simbólico 11 dias depois de ter recuado abaixo de R$ 5 pela primeira vez em mais de dois anos — quando, em 13 de abril, caiu 0,29%, a R$ 4,9969, pela primeira vez.
Ao longo da sessão, o dólar oscilou entre a mínima de R$ 4,94 e a máxima de R$ 5,017, refletindo um pregão marcado por volatilidade e mudanças de direção, especialmente no fim da tarde.
A dinâmica do câmbio no Brasil seguiu, em grande parte, influenciada por fatores externos, mas também encontrou suporte em fundamentos domésticos. Segundo Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank e especialista em câmbio, o comportamento do real ao longo do dia mostrou uma relativa resiliência.
"A gente viu o real hoje praticamente o dia todo ganhando força frente ao dólar, enquanto outras moedas emergentes estavam de lado ou até se desvalorizando. Isso mostra um movimento de entrada de fluxo especulativo no Brasil, muito relacionado à nossa atratividade em juros", afirma.
Quartaroli destaca que a manutenção de taxas elevadas por mais tempo, diante das sinalizações do Banco Central e da persistência inflacionária, tem sustentado esse fluxo. "Existe essa expectativa de juros altos por mais tempo, e isso favorece o ingresso de capital. É o que tem sustentado o comportamento do dólar no Brasil", diz.
Ainda assim, o cenário mudou no fim da sessão. A moeda americana ganhou força, acompanhando a deterioração do ambiente externo, especialmente com as incertezas ligadas ao conflito no Oriente Médio.
"No fim da tarde, vimos uma desaceleração da queda e o dólar ganhando força por conta da guerra. Ainda há muitas incertezas, não se sabe se o cessar-fogo vai se sustentar ou se haverá uma resolução próxima. Isso traz volatilidade para a moeda", diz a economista.
A piora do sentimento ocorreu após a imprensa israelense repercutir a suposta saída do presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Ghalibaf, das negociações diplomáticas com os EUA. Considerado uma figura mais moderada dentro do regime iraniano, seu afastamento reduz as perspectivas de um acordo entre Washington e Teerã.
Mais cedo, Ghalibaf afirmou que um cessar-fogo completo só faria sentido se não houvesse violação do cerco marítimo e do que chamou de "sequestro da economia mundial".
Em publicação nas redes sociais, o líder iraniano também condicionou a trégua ao fim das ações militares israelenses em todas as frentes. "A reabertura do Estreito de Ormuz não é possível com uma violação flagrante do cessar-fogo", escreveu, acrescentando que os adversários não alcançarão seus objetivos por meio de pressão militar ou intimidação.
O cenário também se agravou após novas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou ter ordenado à Marinha americana que "atire e destrua qualquer embarcação" que esteja lançando minas no Estreito de Ormuz. Segundo Trump, não deve haver hesitação na resposta.
Trump também determinou a intensificação das operações de limpeza de minas na região e pressionou o Irã a reabrir a rota marítima, considerada estratégica para o transporte global de petróleo. O estreito está praticamente bloqueado desde o início do conflito, no fim de fevereiro.
Na mesma linha, Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, aponta que o avanço do dólar esteve diretamente ligado ao aumento da aversão ao risco global. "O dólar passou a subir ao longo da sessão, superando o nível de R$ 5,00, em linha com a deterioração do ambiente externo diante da escalada das tensões no Oriente Médio", afirma.
Shahini ressalta que a alta do petróleo elevou o prêmio de risco global, pressionando expectativas de inflação e juros. O tipo Brent, referência mundial, subiu 4,29%, com o barril a US$ 106,34. Já o WIT, mais usado nos Estados Unidos, subiu 4,36%, a US$ 96,99.
"Houve também abertura das Treasuries, com alta nos yields, o que fortaleceu a moeda americana globalmente. O movimento refletiu uma recomposição de posições defensivas, com o câmbio reagindo diretamente ao aumento da aversão a risco", diz.
Dados compilados pelo Financial Times mostram que o dólar vive um momento de inflexão no cenário global. No início do conflito no Oriente Médio até o fim de março, a moeda americana se fortaleceu de forma generalizada, levando todas as principais divisas globais a registrar perdas frente ao dólar.
Nesse período, moedas como o rand sul-africano e o won sul-coreano acumularam quedas mais acentuadas, enquanto euro, libra e dólar canadense tiveram recuos mais moderados.
O movimento, porém, se inverteu em abril. Com o alívio parcial das tensões e a crescente expectativa de cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), o dólar perdeu força, e abriu espaço para uma recuperação das moedas globais.
O real brasileiro se destacou nesse cenário. Após cair cerca de 1% até o fim de março, acumulou valorização superior a 4% em abril, figurando entre os melhores desempenhos. A coroa norueguesa seguiu trajetória semelhante, enquanto o iene japonês foi a única exceção relevante, mantendo desvalorização.
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▸ Source Quality 4/5
Source classification (primary/secondary/tertiary), named vs anonymous, expert credentials, variety
Summary
Two named expert sources (economist and investment specialist) with credentials; no anonymous sources; cites Financial Times data.
Findings 3
"Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank e especialista em câmbio"
Named source with clear credentials (chief economist).
Named source"Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad"
Named source with credentials (investment specialist).
Named source"Dados compilados pelo Financial Times"
Cites Financial Times data, a tertiary source.
Tertiary source▸ Perspective Balance 3/5
Acknowledgment of multiple viewpoints, counterarguments, and balanced presentation
Summary
Presents domestic factors (high interest rates) and external factors (war, Trump's statements) but does not include opposing views or criticisms of the experts' interpretations.
Findings 2
"A dinâmica do câmbio no Brasil seguiu, em grande parte, influenciada por fatores externos, mas também encontrou suporte em fundamentos domésticos."
Acknowledges both domestic and external factors.
Balance indicator"A piora do sentimento ocorreu após a imprensa israelense repercutir a suposta saída do presidente do Parlamento do Irã"
Presents only one side of the conflict (no perspective from Iran or other parties).
One sided▸ Contextual Depth 4/5
Background information, statistics, comprehensiveness of coverage
Summary
Provides historical exchange rate data, background on the conflict, and includes multiple data points (Brent oil price, Treasury yields).
Findings 3
"avançando 0,58%, cotada a R$ 5,003"
Provides specific percentage and price.
Statistic"Ao longo da sessão, o dólar oscilou entre a mínima de R$ 4,94 e a máxima de R$ 5,017"
Provides intraday range.
Background"O tipo Brent, referência mundial, subiu 4,29%, com o barril a US$ 106,34."
Provides oil price context.
Context indicator▸ Language Neutrality 4/5
Absence of loaded, sensationalist, or politically biased language
Summary
Mostly neutral reporting; one instance of loaded language ('sequestro da economia mundial' is a quote).
Findings 2
"O dólar voltou a encerrar acima do patamar de R$ 5"
Neutral factual statement.
Neutral language"a moeda americana firmou alta frente ao real"
Neutral description.
Neutral language▸ Transparency 5/5
Author attribution, dates, methodology disclosure, quote attribution
Summary
Author name and date clearly displayed; quotes attributed to named sources; no methodology disclosure needed.
Findings 4
"Clara Assunção"
Author is clearly identified.
Author attribution"Publicado em 23 de abril de 2026 às 18h11."
Date and time of publication provided.
Date present"Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank e especialista em câmbio"
Quotes are attributed to named source with credentials.
Quote attribution"Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad"
Quotes are attributed to named source with credentials.
Quote attribution▸ Logical Coherence 5/5
Internal consistency of claims, absence of contradictions and unsupported causation
Summary
No logical issues detected; the article flows coherently from domestic to external factors.
Logic Issues
Contradiction · high
Conflicting values for 'o': 5 vs 4
"Heuristic: Values conflict between P1 and P2"
Contradiction · high
Conflicting values for 'o': 5 vs 4
"Heuristic: Values conflict between P1 and P3"
Contradiction · high
Conflicting values for 'o': 5 vs 4%
"Heuristic: Values conflict between P1 and P4"
Core Claims
"Dólar fechou a R$ 5,003, acima de R$ 5."
Market data (implicitly from exchange rates). Primary
"A alta se deve a fatores externos (guerra no Irã) e domésticos (juros altos)."
Cristiane Quartaroli and Bruno Shahini. Named secondary
Logic Model Inspector
Inconsistencies FoundExtracted Propositions (6)
-
P1
"O dólar fechou a R$ 5,003, alta de 0,58%."
Factual In contradiction -
P2
"O dólar oscilou entre R$ 4,94 e R$ 5,017."
Factual In contradiction -
P3
"O petróleo Brent subiu 4,29%, a US$ 106,34."
Factual In contradiction -
P4
"O real se valorizou mais de 4% em abril."
Factual In contradiction -
P5
"A guerra no Irã e as declarações de causes Trump aumentaram a aversão ao risco, fortalecendo o dólar."
Causal -
P6
"Juros altos no Brasil atraem fluxo causes especulativo, segurando a alta do dólar."
Causal
Claim Relationships Graph
Detected Contradictions (3)
View Formal Logic Representation
=== Propositions === P1 [factual]: O dólar fechou a R$ 5,003, alta de 0,58%. P2 [factual]: O dólar oscilou entre R$ 4,94 e R$ 5,017. P3 [factual]: O petróleo Brent subiu 4,29%, a US$ 106,34. P4 [factual]: O real se valorizou mais de 4% em abril. P5 [causal]: A guerra no Irã e as declarações de causes Trump aumentaram a aversão ao risco, fortalecendo o dólar. P6 [causal]: Juros altos no Brasil atraem fluxo causes especulativo, segurando a alta do dólar. === Constraints === P1 contradicts P2 Note: Conflicting values for 'o': 5 vs 4 P1 contradicts P3 Note: Conflicting values for 'o': 5 vs 4 P1 contradicts P4 Note: Conflicting values for 'o': 5 vs 4% === Causal Graph === a guerra no irã e as declarações de -> trump aumentaram a aversão ao risco fortalecendo o dólar juros altos no brasil atraem fluxo -> especulativo segurando a alta do dólar === Detected Contradictions === UNSAT: P1 AND P2 Proof: Heuristic: Values conflict between P1 and P2 UNSAT: P1 AND P3 Proof: Heuristic: Values conflict between P1 and P3 UNSAT: P1 AND P4 Proof: Heuristic: Values conflict between P1 and P4
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