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"É assim que uma pessoa definha"
Como as drogas me causaram um terrível surto psicótico
Foram duas madrugadas frias em Uberlândia durante o feriado de Sete de Setembro de 2018. Na fazenda onde eu estava, o nevoeiro era tão intenso que, certas horas, mal dava para enxergar um palmo adiante. Em 6 de setembro, quinta-feira, um dia antes de eu chegar à cidade, Jair Bolsonaro havia sido esfaqueado em Juiz de Fora. Passei o Dia da Independência embalado por uma lasquinha de LSD altamente concentrado, um pouco de cocaína, haxixe, rum com chá-mate e uma misteriosa substância amarela. Antes de ir com amigos à Samsara, uma festa rave realizada na zona rural da cidade mineira, também engoli uma pílula de bupropiona, antidepressivo usado para parar de fumar.
No dia 8, sábado, segunda noite da rave, depois de muito dançar e com os neurônios turbinados pelo coquetel ilícito e a música eletrônica, eu me afastei das pistas, titubeei e desabei à beira de um riacho. Então, algo se rompeu em mim. Comecei a pensar na morte, em coisas ruins. Não esqueço a letra em inglês da música que soava naquele momento, cuja tradução é assim: "Ei você, você está perdendo, perdendo, perdendo, perdendo a sua cabeeeeeeça."
Passei as 24 horas seguintes alucinando. Não muito longe, uma grande fogueira iluminava a névoa, e eu enxergava crânios na fumaça. Ouvi vozes, e a primeira pedia por uma "mágica". Uma onça circulava por perto. Depois uma pantera negra, com faíscas elétricas. Um rosto hostil se projetou no ar. Silfos jogavam xadrez na copa das árvores, e uma mulher com corpo de cobra se enrolava num tronco. Dois palhaços me olhavam à distância. Depois, a cauda de um escorpião se agitou no ar.
O efeito das drogas não passava. Uma dificuldade psicomotora se apoderou de mim. Eu zanzava torto, andava com as pernas bambas, e de repente ficava paralisado. Sentava no chão com as pernas cruzadas e os dedos obsessivamente entrelaçados, como se qualquer movimento pudesse piorar meu mal-estar e meu pânico. Tive a sensação terrível de que minha mente estava degenerando.
Eu estava com 28 anos e era usuário de drogas desde os 15. Já tivera, além de viagens divinas, algumas bad trips de ácido, mas que não costumavam durar mais que doze horas – no dia seguinte, restavam apenas impressões residuais. Agora, na rave, eu me sentia pior do que numa viagem interminável de Salvia divinorum, erva hoje fora de moda, que se fuma em cachimbo e causa efeito brevíssimo e absurdamente forte.
O pesadelo estava apenas começando.
Um surto psicótico provocado por drogas é como qualquer acidente: acontece de repente, como um choque intenso, e deixa sequelas. Algumas pessoas que têm um surto reagem como se tomadas por uma iluminação religiosa. Um amigo pirou depois de um LSD e passou meses proclamando em bares que era Jesus, Maomé ou algum profeta. No terceiro colegial, um colega começou a pregar na frente da escola, como se fosse um pastor num templo. Agitando nas mãos o seu documento de dispensa do serviço militar, dizia que os pequenos números no papel significavam coisas maiores: eram símbolos ocultistas.
No meu caso, após a rave, entrei em depressão, como se minhas forças vitais tivessem sido subtraídas. Caí numa apatia pelo resto do ano, mudo (foi aí que contraí a mania de murmurar, diga-se de passagem). Fisicamente, eu me sentia em frangalhos, o que me exigia enorme coragem para sair da cama e cuidar da vida, ou do que me restava de vivacidade. Também tive alucinações. Depois de retornar de Uberlândia para São Paulo, cismei que Mirandópolis, o bairro onde eu moro com minha família, era uma colônia nazista. Ao espiar pela janela de casa, também vislumbrei vultos parecidos com ninjas, instalando câmeras na guarita do prédio ao lado.
Além de ter delírios visuais, passei a ouvir vozes quase o tempo todo: uma multidão de vozes, emitindo xingamentos e repetindo palavras e nomes, que sempre aumentavam na hora que eu ia dormir. Era como uma "rachadura" no cérebro, um sonho terrível que continuava mesmo depois de eu acordar. Exceto minha família, que percebia tudo com nitidez, os amigos, nos contatos diários, pareciam encarar minha situação apenas como um sinal de apatia e ansiedade, de modo que meu problema maior passou despercebido por quase todos.
Fui duas vezes a um centro de umbanda por acreditar que as alucinações podiam ser encostos. Temendo agravar o problema se eu contasse sobre as vozes para alguém, resolvi considerá-las um segredo meu. "É assim que uma pessoa definha", eu pensava, me esforçando para que as mesmas vozes não escutassem meus pensamentos.
Em 13 de setembro de 2018, uma semana depois da rave, morreu meu avô. Foi uma das piores sensações que já tive. Além da dor da perda, fui atormentado pela ideia de que eu havia lhe faltado com o respeito.
Devido à paranoia, minha vida sexual se reduziu – eu não estava impotente, mas o apetite diminuíra. Uma garota me apresentou o Venvanse (lisdexanfetamina), usado por pessoas com transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH). Como eu estava mais lento que o normal, procurei um psiquiatra, contei o que estava se passando comigo. Ele me receitou, sem ressalvas, a mesma substância que eu vinha tomando por livre iniciativa. Nas semanas seguintes, eu me automediquei, mandando bala nas anfetaminas e agravando ainda mais a situação.
No início de 2019, eu continuava em surto, e cada tarefa simples tinha se tornado para mim um difícil enfrentamento com obstáculos imaginários. Mesmo assim, continuei fazendo trabalhos freelancer de jornalista, frequentando as redes sociais e mantendo as corridas semanais que costumava fazer no Parque do Ibirapuera, que não é muito distante do meu bairro. Passei a conviver com a sensação de ter sofrido uma mutação na cabeça, sentindo-me um completo derrotado. Cortei relações, mas não larguei as drogas.
Cada vez mais, eu carecia de tratamento. Assim, por iniciativa da minha mãe, que desde o princípio vinha observando tudo com muita apreensão, saímos em busca de uma solução.
No dia 8 de maio de 2019, fui atendido pelo psiquiatra Francisco Lotufo Neto, em um consultório na Avenida Faria Lima revestido de madeira escura e aconchegante. O médico já cuidara de um primo cocainômano e de mim mesmo, na infância. Ele pareceu bastante preocupado ao me reencontrar naquele estado.
Dr. Francisco é um senhor com barbas longas, meio grisalhas, meio amarelecidas, magro e com voz rouca, às vezes cavernosa. Em seus diagnósticos, ele sempre aparenta muita calma. Jamais responde às perguntas de imediato, refletindo antes de falar. Eu havia frequentado sua clínica quando criança porque vivia com medo de fantasmas. Ele me curou sem remédios. Preferiu me ensinar que a fobia é como a linha de um gráfico, que sobe, parece que vai subir mais ainda, mas a tendência é que atinja um pico e se estabilize. Se a pessoa tiver paciência, a linha uma hora vai descer – e o medo vai acabar. O tratamento, em suma, consistia em tentar resistir aos temores cada vez que surgissem, até aprender a destemer. Comigo funcionou na infância.
Vinte anos mais tarde, porém, eu era um toxicômano surtado. Alguns anos depois da consulta na Faria Lima, dr. Francisco resumiria para mim o estado em que cheguei ao seu consultório naquele 8 de maio:
Você estava num quadro delirante, com alucinações visuais e auditivas, o comportamento desorganizado e muito assustado com essas experiências. Abatido, com roupas desleixadas, dificuldade de atenção e memória, relatava irradiação de pensamento – parecia que os outros tinham acesso ao seu pensamento – e alucinações que não conseguia descrever. Seu humor era depressivo e, por vezes, delirante. Meu receio na época é que não fosse só uma intoxicação, mas que as drogas tivessem desencadeado um processo de esquizofrenia, porque se assemelhava muito a um surto esquizofrênico. Felizmente, não foi o caso.
Para me curar das vozes que rodeavam meus pensamentos feito um tornado, ele me receitou olanzapina, um antipsicótico usado no tratamento da esquizofrenia e outras psicoses, e que resolveu as minhas alucinações sonoras pouco a pouco. Outro remédio que me receitou foi a risperidona, também usada para esquizofrenia. Já para os sintomas de ansiedade e depressão, prescreveu sertralina, um antidepressivo comum, que simplesmente faz aumentar o teor de serotonina no cérebro. Além disso, me indicou zolpidem, um hipnótico, para quando eu estivesse com insônia, o que terminaria por me causar problemas, porque é uma droga que deixa a pessoa completamente fora de si, se mal administrada. Ele ordenou que eu parasse imediatamente de consumir a lisdexanfetamina.
Durante os quase dois anos em que me tratei com o dr. Francisco, continuei usando álcool e cocaína, o que certamente atrasava todos os resultados. Minha relação com o pó é antiga e, se não for muita indiscrição, devo dizer que já consumi mais de 10 kg durante a vida. No início, quando curtia meus pininhos durante os ensaios e gravações da banda de rock que tive no colegial, meio grama bastava para a noite inteira. No limite da minha dependência, décadas mais tarde, cheguei a consumir 10 gramas por semana, atravessando três, quatro noites sem dormir.
De certo ponto de vista, faço parte de um grupo seleto. Há 316 milhões de usuários de entorpecentes no mundo, de acordo com o Relatório Mundial sobre Drogas 2025, da ONU. Os números se referem a uma pesquisa feita em 2023 e mostram que a maioria fumava maconha. Os cocainômanos eram 25 milhões. A produção de pó atingiu um recorde, com 3,7 mil toneladas em todo o mundo, crescimento de 34% em relação a 2022, cultivadas em 376,7 mil hectares de hojas de coca, área pouco maior do que a usada para o plantio de laranja no estado de São Paulo.
Dr. Francisco me avisou que só continuaria com o tratamento se eu largasse a cocaína. Como não fiz isso, ele encerrou o atendimento no início de 2021. Segundo o psiquiatra, o cérebro de um viciado leva cem dias para voltar ao funcionamento normal depois da interrupção do uso da cocaína. Por causa da minha postura leviana, ele me recomendou buscar uma clínica.
Durante alguns meses frequentei o Centro de Tratamento Bezerra de Menezes, que fica perto da minha casa e hoje em dia está em reforma. Lá, recebi algumas lições valiosas do psicólogo Alexandre Nogueira, um ex-adicto. Depois, ainda seguindo as orientações do dr. Francisco, procurei o local que acabaria se tornando minha segunda casa: o Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas (Grea), um atendimento público do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
Em 1º de março de 2021, escrevi meu primeiro e-mail ao HC pedindo informações sobre o atendimento clínico. No mesmo dia, me respondeu Celi de Lima, uma senhora muito solícita que eu conheceria pessoalmente mais tarde e seria uma presença constante nos meses seguintes. Ela me transmitiu as informações e perguntas essenciais, como que droga eu usava. Sem saber nada sobre o que me aguardava dali em diante, eu lhe disse sem reservas: "Busco tratamento para o vício em cocaína." Ela concluiu a conversa, escrevendo: "Coloquei seu nome na lista de triagem. Assim que tivermos uma vaga eu vou ligar e conversar com você para marcar."
No dia 25 de maio, aconteceu minha primeira consulta no Grea. Dois dias antes eu havia comemorado meu aniversário de 31 anos.
A partir de então minha vida ganhou uma nova rotina. Uma vez por semana, eu ia até o Grea, naquela época instalado no prédio do Instituto de Psiquiatria (IPq), no complexo do HC, próximo da Avenida Paulista. O objetivo era participar de uma rodada de conversas em grupo, com pessoas (entre dez e vinte) mergulhadas no álcool e entorpecentes. Uma vez por mês, ia a uma consulta privada com o psiquiatra designado para o meu caso. Ao final da consulta, eu me dirigia com as receitas até uma farmácia nos fundos do prédio e saía de lá com os bolsos cheios de comprimidos tarja preta, subsidiados pelo SUS.
Fundado em 1952 e hoje com cerca de 1,3 mil funcionários, o IPq ocupa um dos dezesseis prédios do pantagruélico complexo do HC, uma área de 600 mil m², onde trabalham mais de 20 mil pessoas e circulam 45 mil por dia. Em 2025, o HC realizou em torno de 140 mil atendimentos de urgência e emergência em alta complexidade, 2,2 milhões de consultas e 48 mil cirurgias.
O Grea foi criado no Instituto de Psiquiatria, em 1981, por dois psiquiatras do HC, Arthur Guerra de Andrade e Edson Hirata. No início, o grupo atendia apenas alcoólatras. Em 1987, passou a atender dependentes químicos. No auge da epidemia da Aids, nos anos 1980, o programa chamou a atenção pública depois que seus médicos tiveram o mérito de averiguar que, em São Paulo, boa parte das contaminações por HIV não eram decorrentes de relações sexuais, mas do uso coletivo de seringas usadas para injetar cocaína e outras drogas.
"A gente começou a estudar os usuários de drogas injetáveis e a tratar esses pacientes. Eles vinham para o Grea. Foram objeto da minha tese de doutorado, que era sobre a relação do uso de drogas injetáveis com o HIV", me contou o atual coordenador do Grea, André Malbergier, que trabalha no programa desde 1988. "Começamos a trabalhar com redução de danos, inspirados no modelo do estado de Illinois, nos Estados Unidos. Era algo ainda inédito no Brasil. Saímos em defesa de estratégias políticas de saúde. Era preciso olhar essa população que vinha crescendo e apresentava uma prevalência de infecção, e com isso o Grea ganhou relevância." Segundo ele, entre o final dos anos 1980 e início dos 1990, cerca de 50% dos usuários de cocaína consumiam a droga de maneira injetável.
Em novembro de 2022, quando eu ainda estava em tratamento, o Grea foi transferido do IPq para o recém-inaugurado Instituto Perdizes (IPer), um prédio de seis andares e 23 mil m² no bairro de Perdizes. No mesmo local, funcionou o Hospital Auxiliar de Cotoxó, que serviu de back office para o HC até 2013, quando foi demolido para dar lugar ao IPer. A função do IPer não é apenas cuidar dos adictos: o hospital faz toda sorte de atendimento a pessoas com problemas mentais e funciona também como um local de apoio ao HC.
Enquanto eu estava no Instituto de Psiquiatria, o Grea realizava em média cem atendimentos por ano e dispunha de apenas doze leitos – ganhou oitenta leitos no IPer, destinados a dependentes químicos, de um total de duzentos no edifício. Em 2025, o Grea realizou 10 mil consultas e 640 internações, ainda longe da sua meta, que é atingir 21 mil atendimentos e 2,2 mil internações por ano. Para tanto, o Grea consome cerca de 40% do orçamento destinado ao IPer pelos cofres estaduais – 99,5 milhões reais no biênio 2024/2025.
No quarto e no sexto andar, ficam os pacientes não agudos, ou seja, que se internaram voluntariamente e não têm problemas mais graves, além da dependência. No terceiro e no quinto, encontram-se os casos crônicos, pessoas que sofrem de surtos psicóticos ou foram interditadas depois de passarem por situações críticas. Cada andar tem oito quartos, com duas camas em cada quarto, além de um aposento de observação e contenção e uma sala de estar e refeições, com tevê. O ambiente é impessoal, todo branco e friamente iluminado, como o de qualquer hospital. Uma vez internado, ninguém pode sair dali até que se cumpra o prazo estabelecido pelos psiquiatras, que pode variar de 14 a 40 dias.
O Grea se baseia no tripé atendimento-ensino-pesquisa. Sua equipe é formada por três médicos conveniados da Prefeitura de São Paulo, catorze médicos voluntários e dez residentes, que mudam a cada semestre. Além disso, conta com o quadro profissional do IPer, composto por 650 funcionários das áreas médica, de enfermagem e administrativa. "Achavam que o tema drogas poderia ter cinco centros de excelência no país. Colocaram dinheiro. Mas foram só dois investimentos. Um em Porto Alegre, outro em São Paulo, onde foi selecionado o Grea, que já era importante", diz Arthur Guerra de Andrade, o psiquiatra que fundou o grupo interdisciplinar (e foi o idealizador do Programa Redenção, que atuou na cracolândia em São Paulo). Ele conta que entre as principais inovações da entidade estão os ambulatórios dedicados a hipnóticos, opioides e um novo vício: em telas, sobretudo de celulares.
Discípulo de Guerra de Andrade, Malbergier chama a atenção para as drogas K, que também ganharam um ambulatório específico. Ele observa que essas drogas – nomeadas K2, K4, K9 e por aí vai – são especialmente perigosas porque são constituídas de substâncias produzidas integralmente em laboratório, a baixo custo, com alto poder de entorpecimento. Elas atuam diretamente nos receptores cerebrais, são difíceis de ser identificadas em exames toxicológicos e vêm causando mais problemas que a cocaína. "As pessoas realmente têm sintomas psicóticos, inclusive uma liberação motora que as faz cair no chão. A desorganização é tão intensa que as deixa completamente incapazes de fazer qualquer coisa", diz Malbergier. "É uma situação bem delicada, e a gente ainda está correndo atrás disso."
O Grea também está preparado para atender os novos viciados em zolpidem, o hipnótico. Eu mesmo, a propósito, comi uma cartela do congênere Patz, dirigi loucamente pelo meu bairro em uma madrugada de 2020 e quase atropelei um policial. Fui parado e obrigado a pagar multa e passar uma noite inteira na delegacia.
Os viciados em drogas têm outras opções em São Paulo além do Grea. A prefeitura da capital destina 200 leitos em hospitais para esses casos. Na rede estadual de hospitais, são 748 leitos, segundo o governo paulista. No Brasil todo, há ainda a possibilidade de ser acolhido em um dos 655 Centros de Atenção Psicossocial (Caps) III e AD III, com 8 a 12 leitos para internação cada, ou ainda em uma das 2 171 camas dos Hospitais Gerais que fazem parte da Rede de Atenção Psicossocial (Raps). Sem falar nas clínicas privadas, sobre as quais não há estatísticas confiáveis.
Na papelada do HC, meu diagnóstico é classificado como CID F19.2, isto é, alguém com transtornos mentais e comportamentais ocasionados pelo uso de múltiplas substâncias psicoativas – síndrome de dependência. Em quatro anos de tratamento, meu caso acumula cerca de 2 mil páginas até agora, evidenciando o tamanho da encrenca.
No Grea, o tratamento consistia inicialmente em fazer uma consulta por mês com um psiquiatra e frequentar uma vez por semana um dos 36 grupos disponíveis, nos quais os pacientes podem desabafar e contar suas histórias e rotinas, à maneira do que ocorre nos Alcoólicos Anônimos (AA) e Narcóticos Anônimos (NA). As equipes multidisciplinares que realizam esses encontros são formadas por assistentes sociais, psicólogos e terapeutas ocupacionais.
Quando você começa a frequentar um grupo de dependentes químicos, as reuniões são uma espécie de redenção. É como admitir que tudo o que fez até então foi errado e que, tendo chegado a um limite da sua vida, a única saída é se confessar, com gente que está na mesma situação, a pessoas preparadas para ajudá-lo sem preconceito. Em muitos casos, enquanto frequenta os grupos, o usuário continua a ser um usuário, mas está disposto, pelo menos, a encarar as substâncias como coisas traiçoeiras.
Além de frequentar o psiquiatra e os grupos de discussão, eu me submeti a duas internações no Grea. A primeira foi em julho de 2023 e durou um mês. A segunda em novembro de 2024, por duas semanas.
A internação pode ser voluntária ou involuntária. Ao chegar à ala de internação, o paciente assina um termo definindo que, caso ele reaja mal ao tratamento, pode estar sujeito à intervenção de enfermeiros e seguranças. O contrato serve para resolver casos como o de um paciente de meia-idade, forte e beberrão, que em 2023 pulou de um andar do IPer para ir até o bar mais próximo, onde bebeu sua pinga indispensável.
"Depois de o paciente ficar internado aqui por, vamos dizer, trinta dias, o momento que ele sai é de alto risco. Por quê? Porque, muitas vezes, ele tem fissura devido ao ambiente, o contexto, ele tem gatilhos. Aqui, tem a proteção de ainda estar em regime hospitalar", explica Malbergier, que além de coordenador do Grea, é gerente médico de Álcool e Drogas do IPer. "O objetivo do tratamento é readquirir habilidades sociais, seja de relacionamentos interpessoais, trabalho e atividades. Porque tratar a dependência não é só tirar a droga. A droga vai embora, mas o paciente continua sendo um dependente no sentido das dificuldades que enfrenta."
Aos profissionais do Grea, sempre relatei em detalhes esta crescente doença (o vício em drogas é, por natureza, progressivo). Em contrapartida, ouvia histórias que variavam do mais simples consumo de crack às mais embaraçosas situações provocadas por ataques psicóticos, como a de uma pessoa que ateou fogo num botijão de gás achando que havia alguém em seu quintal pronta para exterminá-la.
Entre meus colegas na segunda internação, em novembro, estava Marco Antonio Figueiredo de Miranda, de 36 anos, um produtor cultural que aceitou que eu contasse a sua história na piauí. Integrante do Sarau do Binho, que faz eventos em São Paulo, ele se veste sempre de preto, tem o rosto cheio de piercings e o corpo com muitas tatuagens. No gogó, tatuou uma balança da Justiça. Na careca, simbolizando Exu, uma cruz que vai da testa à nuca, de têmpora a têmpora. Durante a internação, pegava o violão sempre que possível e tocava músicas brasileiras. Sua voz é marcada por um pigarro que não disfarça o consumo de crack – falta-lhe ar, como quem sofre de um enfisema. Seu problema é com o mesclado, os baseados de maconha com crack que vem fumando intermitentemente nas últimas décadas.
No ano de 2024, aluno da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), em Foz do Iguaçu, ele teve que sair da república de estudantes onde vivia, depois de uma série de conflitos. Sua vida, então, desandou. Miranda passou a viver nas ruas. "Comecei a me largar mesmo, tipo 'estou de coração partido, não aguento mais, na rua pelo menos eu encontro pessoas que talvez me entendam, ou que eu entendo'", ele me contou. "A rua é assim: uma liberdade incrível." Além disso, a droga liberou todas as licenciosidades. "O crack, a química, mexe muito com a libido, libera muito esse poder sexual."
Depois de muito fumar mesclado e se envolver com outros dependentes nos terrenos baldios de Foz do Iguaçu, Miranda resolveu dizer chega e veio para a capital paulista procurar ajuda. Passou alguns meses num refúgio na Granja Viana, na Grande São Paulo, onde fez rituais com ayahuasca. Não foi suficiente, e ele buscou a ajuda do IPer. Foi direto para a fila de internação.
Uma garçonete, também de 36 anos (que me pediu para omitir seu nome), foi além no mundo das drogas e poderia estar na cadeia. No auge de sua vida louca, tornou-se gerente do tráfico em Campinas. Antes de se internar pela primeira vez no IPer, em 2018, caiu numa onda de dez dias de consumo de crack num hotel da cracolândia de uma cidade do interior paulista. "Vejo muita molecada entrando hoje nessa vida e gastando tudo em droga. Você não cresce, quem cresce é quem está lá em cima. Você só serve de escadinha para eles subirem, e quem se ferra é sempre você", ela me disse.
O Grea também é um espaço de apoio para potenciais suicidas, como é o caso de um rapaz de 32 anos, cujo nome também omito a seu pedido. Ele atentou três vezes contra a própria vida. A penúltima vez foi ao lado da então namorada, que também tentou se matar, mas desistiu na última hora – e assim ela conseguiu evitar que ele se enforcasse, depois de terem ingerido uma superdose de remédios.
Isso aconteceu em 2018. Foi a gota d'água de um longo histórico de depressão, abuso de substâncias variadas, como metanfetaminas, cocaína, crack e opioides (ele é o que se chama no Grea de poliusuário, havendo inclusive um grupo só para isso), e uma relação amorosa literalmente tóxica. Ele tentou se tratar com ibogaína, uma raiz africana utilizada clandestinamente em clínicas de reabilitação. Não adiantou muito e acabou se internando no IPer em 2023. Naquele ano, passou o Natal no prédio do instituto. Em 2024, internou-se pela segunda vez, pediu para sair, mas voltou novamente em novembro. "Foi a minha mãe que me trouxe, mas eu queria vir. Só que, como desisti daquela vez, meus pais acharam melhor me colocar de forma involuntária. Mas eu queria vir. Eu falei: 'Preciso me internar.'"
O Grea também tem um grupo específico para transgêneros. Pessoa trans, a artista visual e designer Amem Ira Talaini de Donato, de 28 anos, sofre de transtorno bipolar e se internou voluntariamente. Ela me contou que foi vítima de dois estupros e que, por isso, em protesto, mudou o sobrenome para Ira. Para sua marca de roupas, joias e bijuterias, criou uma variante desse nome: Yhra.
Ela é usuária, há cerca de dois anos, de cetamina, um anestésico para cavalos e outros animais que os usuários chamam de Special K. No início de 2024, apresentou um quadro depressivo, com ideias suicidas, e procurou o Grea. Só foi internada no final daquele ano, mas desde março vinha sendo atendida pelo hospital-dia, que desenvolve atividades terapêuticas diárias no IPer.
A cetamina foi a droga que aplacou um pouco as dores sofridas por Amem pelos "atravessamentos" do mundo, como ela diz, referindo-se à sua condição trans. "Aqui mesmo, no próprio hospital, às vezes é uma dificuldade respeitarem meu nome, sabe? Não que isso me deixe ferida como antes. Eu agora entendo de outra forma", ela me disse. "Mas você vê que as pessoas não estão te respeitando porque elas não querem. A gente percebe quando a pessoa está realmente tirando com a sua cara."
Em uma quarta-feira de novembro de 2024, perto da hora do almoço, Mateo Piracés-Ugarte, de 32 anos, cantor da banda Francisco, el Hombre, ensaiava algumas de suas canções no corredor do sexto andar do IPer. Jovial, bonito e simpático, ele era um dos catorze dependentes químicos internados no último andar do edifício. Sentei-me ao seu lado para escutá-lo. A canção dizia:
Seu olho tem dentro uma cascata de água
que brilha caindo de amor por mim.
Como me dói ver esse brilho se apagando,
correnteza que eu mesmo impeço de fluir.
Sou a preocupação,
a enxaqueca,
seu olho fosco.
Eu sou a seca.
Tanto desgaste,
eu sou a treta,
Brilho se foi.
Eu sou a seca.
A canção é dedicada ao pai de Piracés-Ugarte, um revolucionário chileno que a ditadura de Augusto Pinochet prendeu, torturou e depois obrigou ao exílio. Primeiro, ele foi para os Estados Unidos com sua mulher. Em 1975, o casal se mudou para o México, e foi lá que o músico nasceu, em Naucalpan de Juárez. Depois, a família se transferiu para Campinas, onde viveu de aluguel, até finalmente se estabelecer na cidade paulista de Valinhos.
Piracés-Ugarte começou a fazer ciências sociais na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mas não completou o curso. Foi em Campinas que criou sua primeira banda. Depressivo por natureza, é difícil explicar a razão de suas perturbações mentais. "Comecei a ter alucinações e ataques de pânico aos 5 anos de idade e nada fazia sentido para mim. Meus pais me levaram ao médico, eles não entendiam por que eu tinha tantas dores no corpo e depressão", ele me contou. "Fui para o álcool, o cigarro e a maconha lá pelos 12, 13 anos. Aos 17, 18 anos comecei com o pó, e a depressão só foi piorando. Acho que a depressão foi me chamando para as drogas, e as drogas foram chamando a depressão. Drogas e depressão são como uma elipse negativa, uma espiral que vai puxando uma à outra, puxando para baixo."
No ano passado, a relação de Piracés-Ugarte com o Special K, que também pode ser cheirado, foi doentia: ele consumia 2 gramas diários da droga (aventureiros não usam mais de duas carreirinhas de cerca de 0,2 grama em uma noite). Naquele dia de novembro em que conversamos, ele se encontrava em um momento definidor de sua vida profissional. Estava encerrando a última turnê de sua banda e se preparava para uma carreira solo. No Instagram do grupo, então com 170 mil seguidores, decidiu contar sobre a decisão de parar com os vícios. Agora, precisará manter a promessa feita em público.
Acordei na reabilitação ouvindo um turbilhão de vozes. Era 25 de novembro de 2024, domingo, o 14º e último dia da minha segunda internação no IPer. Uma das vozes versejava: O amor existe/ É triste.
Nesse momento, o meu vizinho no quarto 608 moveu sua cama de hospital, daquelas que podem ser inclinadas e elevadas, fazendo um barulhão. Era um cara bastante fechado e mal-humorado. Depois de sua chegada, dormiu três dias consecutivos. Ele não quis ser entrevistado para este relato, mas contou que ficou um mês se drogando nas ruas. Ou melhor, no cemitério, porque preferia usar drogas entre os mortos. Ele faz parte de um grupo especial de drogados: aqueles que, depois de passarem o pão que o diabo amassou e se curarem, resolvem ajudar o próximo. Havia oito anos, ele vinha trabalhando em clínicas de reabilitação. Mas o risco de desandar nunca desaparece, mesmo entre alforriados. E ali estava ele, internado no Grea.
Para ler durante minha internação, eu trouxera o romance Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago. Em umas das últimas cenas do livro, os cegos encontram uma igreja onde todos os santos em um afresco aparecem vendados, exceto uma santa, que oferece seus olhos a Deus numa bandeja.
Metódico, termino o livro exatamente no meu último dia no hospital. Amanhã cedo, segunda-feira, meus pais vêm me buscar. Um trecho das anotações que fiz em meu diário nesse dia:
8h – Já comi minha goma de nicotina. Aqui é programa tabaco zero. Antes, podíamos dar eventuais saídas para fumar. Mas alguns pacientes começaram a pingar drogas K nos cigarros e, então, proibiram de vez as saídas. Vou para a sala de estar tomar o café da manhã. Um homem de meia-idade, bêbado puro-sangue (nunca usou drogas, mas por causa do alcoolismo amargou mais de uma dezena de internações, a maioria forçada por sua própria família) está assistindo à série Pinguim na tevê.
– Bom dia, família! Bom dia a todos, todas e todes! – saúda o colega de 32 anos que tentou suicídio. Ele chega na sala de estar junto de Mateo Piracés-Ugarte, seu companheiro de quarto.
– Cadê o meu açúcar? – pergunta Piracés-Ugarte.
– Pode pegar o meu – eu lhe digo.
– Esse café não é tão gostoso para tomar amargo – comenta o jovem de 32 anos.
No corredor, as enfermeiras medem a pressão e os batimentos cardíacos de todos os pacientes, o que precisa ser feito três vezes ao dia. A minha pressão não variou muito ao longo de toda a estadia de catorze dias. Apesar de tudo, estou bem das veias.
A garçonete de 36 anos lê os Salmos em voz alta para uma paciente loira que ingressou ontem e para outro interno, magro e simpático, que está sempre sorrindo. Volto ao quarto, para matar o tempo no celular, permitido poucas horas por dia. Depois de ler o livro de Saramago, me dedico à tradução de uma peça de Jean-Paul Sartre, Les mouches (As moscas).
10h – Hora do suco. Alguns pacientes assistem ao filme Duna. Piracés-Ugarte recebe a visita da namorada, uma mulher esbelta, também artista.
11h – Descemos para o segundo andar, onde, além da academia, há uma minipista de corrida em forma de U ao ar livre (o mesmo local onde, dias antes, tínhamos avistado uma indecente ponta de baseado).
12h – Subimos para a sala de refeições. Almoçamos arroz, feijão, berinjela, rosbife e alface. As refeições, vale citar, são ótimas.
15h – Hora do lanche. Pão com manteiga, café com leite. Aniversário de uma colega, alcoólatra que evidentemente sofre de outras enfermidades da mente, inclusive mitomania. É quase impossível ter uma conversa normal com ela. As pessoas não chegam a cantar parabéns, mas todos a cumprimentam, e ela agradece de maneira simpática.
18h – O jantar foi macarrão, vagem e repolho, seguido de gelatina de morango. A aniversariante fica num canto, sem tocar em seu prato e nos três brigadeiros, cortesia do hospital pelo aniversário.
– Não vai comer? – eu pergunto.
– Já comi muito – ela diz.
– Mas nem tocou na comida. Quantos anos você fez?
– Vou fazer 38. Mas é só dia 24.
– Dia 24 é hoje.
O pedreiro viciado em drogas K (segundo ele, é pior que o crack e deixa a pessoa lesada), que ouvia minha conversa com ela, sai às gargalhadas da sala.
Todo o andar está decorado para o Natal. A decoração é um pouco escassa, mas há guirlandas e alguns papais-noéis de pano nas paredes. No balcão central, no lugar onde os enfermeiros costumam passar o dia trabalhando, há um amontoado de cisnes de origamis. Estou louco para fumar um cigarro – afinal são duas semanas sem acalentar os meus brônquios.
Na segunda-feira, dia 25, às 7h30, o enfermeiro não libera minha goma de nicotina. Diz que ainda é cedo e só me dá o chiclete depois do café da manhã. Ele é um cara bem-disposto e maneiro, que pretende se mudar para a Califórnia e trabalhar no setor de saúde. Respeita à risca cada pequena regra do Grea.
Meus pais chegam por volta das 13h30 e me encontram na área social, onde eu os esperava. Antes de eu deixar o Grea, fazemos uma reunião com um psicólogo. Num painel, ele desenha um "modelo cognitivo", explicando que o pensamento leva à motivação, que acaba gerando situações de ansiedade, fazendo com que a pessoa saia por aí em busca de drogas, em qualquer canto. Para evitar a fissura por drogas e a recaída, é preciso ter o mínimo de disciplina, autocontrole e amor-próprio.
Fico pensando se realmente vou conseguir. Nas consultas no Grea, os médicos residentes perguntam com frequência o que o paciente espera do tratamento. Jamais respondi que é largar inteiramente as drogas. O dr. Arthur Guerra de Andrade, diretor do Grea, me disse em entrevista que estar em permanente tratamento é uma sequela do vício. Ainda bebo um pouco. Se me oferecerem uma droga, não sei se recuso. Mas, desde essa última internação, foram raras as vezes em que passei uma madrugada acordado – quem dirá duas ou três – em dias de semana.
Logo depois que saí, fiquei sabendo que aquele colega de 32 anos que tentou suicídio se envolveu com uma das pacientes. Ela é viciada em um hipnótico genérico do zolpidem. Ele me contou por WhatsApp, em dezembro de 2024: "Faltava mais ou menos uma semana para eu sair do IPer e ela chegou. Conversamos durante dois dias e tivemos uma conexão bem forte. Estamos namorando. Eu já saí, estou esperando que ela saia. Tudo indica que é algo sério."
O amor sempre prevalece, mesmo entre os anjos caídos.
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▸ Source Quality 4/5
Source classification (primary/secondary/tertiary), named vs anonymous, expert credentials, variety
Summary
Article includes primary sources: the author's own experience, quotes from Dr. Francisco Lotufo Neto, and references from UN report. Named sources are provided.
Findings 4
"ia 8 de maio de 2019, fui atendido pelo psiquiatra Francisco Lotufo Neto, em um co"
Direct interaction with a named medical professional.
Primary source" estado. Dr. Francisco é um senhor com barbas longas, m"
Named psychiatrist quoted directly.
Named source" mundo, de acordo com o Relatório Mundial sobre Drogas 2025, da ONU. Os números se refer"
UN report cited as source for statistics.
Secondary source"Uma garota me apresentou o Venvanse"
Unnamed acquaintance mentioned.
Anonymous source▸ Perspective Balance 3/5
Acknowledgment of multiple viewpoints, counterarguments, and balanced presentation
Summary
Article primarily presents the author's personal perspective, with some inclusion of the psychiatrist's view and mention of treatment options, but lacks alternative viewpoints on drug use or mental illness.
Findings 2
"Como as drogas me causaram um terrível surto psicótico"
Title frames article as personal narrative without opposing view.
One sided"Meu receio na época é que não fosse só uma intoxicação, mas que as drogas tivessem desencadeado um processo de esquizofrenia"
Psychiatrist presents alternative diagnosis.
Balance indicator▸ Contextual Depth 4/5
Background information, statistics, comprehensiveness of coverage
Summary
Article provides rich personal history, detailed description of the psychotic episode, treatment journey, and global drug statistics.
Findings 3
"Eu estava com 28 anos e era usuário de drogas desde os 15."
Personal background context provided.
Background"Há 316 milhões de usuários de entorpecentes no mundo, de acordo com o Relatório Mundial sobre Drogas 2025, da ONU."
Global statistics presented.
Statistic"Uma onça circulava por perto. Depois uma pantera negra, com faíscas elétricas."
Vivid hallucination description adds depth.
Context indicator▸ Language Neutrality 4/5
Absence of loaded, sensationalist, or politically biased language
Summary
Mostly neutral narrative language, but some subjective and emotionally charged phrases appear (e.g., 'terrível surto,' 'pânico,' 'horrível').
Findings 3
"Como as drogas me causaram um terrível surto psicótico"
Title uses 'terrível' (terrible) which is subjective.
Sensationalist"ele me receitou olanzapina, um antipsicótico usado no tratamento da esquizofrenia e outras psicoses"
Factual medical description.
Neutral language"O pesadelo estava apenas começando."
Dramatic phrasing 'nightmare'.
Sensationalist▸ Transparency 5/5
Author attribution, dates, methodology disclosure, quote attribution
Summary
Article clearly attributed to Luigi Mazza and Bruno Cirillo, includes date, and uses direct quotes attributed to named individuals (Dr. Francisco, Celi de Lima).
Findings 1
"dr. Francisco resumiria para mim o estado em que cheguei ao seu consultório"
Quotes attributed to named psychiatrist.
Quote attribution▸ Logical Coherence 5/5
Internal consistency of claims, absence of contradictions and unsupported causation
Summary
No contradictions or logical issues detected. The narrative flows chronologically and causally consistent.
Findings 1
"Não esqueço a letra em inglês da música que soava naquele momento"
No logical inconsistency, but causal link between music and mental state implied without evidence.
Unsupported causeCore Claims
"The author experienced a drug-induced psychotic episode after using LSD, cocaine, and other substances."
Author's own first-person narrative. Primary
"Dr. Francisco Lotufo Neto treated the author and diagnosed drug-induced psychosis rather than schizophrenia."
Named psychiatrist Dr. Francisco quoted directly. Primary
"Global drug use statistics from the UN report show 316 million users worldwide."
UN World Drug Report 2025 cited. Named secondary
Logic Model Inspector
ConsistentExtracted Propositions (4)
-
P1
"The author had his first psychotic break during a rave in Uberlândia in September 2018."
Factual -
P2
"The author was prescribed olanzapine, risperidone, sertraline, and zolpidem."
Factual -
P3
"The author attended treatment at the Grea (Hospital das Clínicas) from March 2021 onward."
Factual -
P4
"The combination of LSD, cocaine, hashish, rum, bupropion, and a yellow substance causes a psychotic episode."
Causal
Claim Relationships Graph
View Formal Logic Representation
=== Propositions === P1 [factual]: The author had his first psychotic break during a rave in Uberlândia in September 2018. P2 [factual]: The author was prescribed olanzapine, risperidone, sertraline, and zolpidem. P3 [factual]: The author attended treatment at the Grea (Hospital das Clínicas) from March 2021 onward. P4 [causal]: The combination of LSD, cocaine, hashish, rum, bupropion, and a yellow substance causes a psychotic episode. === Causal Graph === the combination of lsd cocaine hashish rum bupropion and a yellow substance -> a psychotic episode
All claims are logically consistent. No contradictions, temporal issues, or circular reasoning detected.
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