O Cordão da Mentira — bloco carnavalesco criado em 2012 para denunciar violações da ditadura civil-militar — saiu às ruas da Paulista no sábado (16) junto com o Movimento Mães de Maio para relembrar os 20 anos dos Crimes de Maio. O ato reuniu cerca de 60 mães de vítimas de violência policial de todo o país, segundo os organizadores, e incluiu protestos pela causa palestina. ✓
Citações da imprensa (2)
"O Cordão da Mentira é um bloco carnavalesco que sai todo dia 1º de abril, Dia da Mentira, dia do golpe de 64, para falar sobre a violência do Estado do passado e do presente. Ele começou numa roda de samba, quando vários sambistas começaram a perceber que várias pessoas que participaram da repressão participavam de seus espaços"
"Um ato na tarde deste sábado (16) na Avenida Paulista, em São Paulo, relembrou os 20 anos dos chamados Crimes de Maio"
Os Crimes de Maio ocorreram entre 12 e 21 de maio de 2006, quando o PCC organizou rebeliões em 74 presídios e ataques nas ruas contra agentes públicos, em retaliação à transferência de 765 presos para Presidente Venceslau. A resposta do Estado resultou em 564 mortos e 110 feridos, sendo 505 civis e 59 agentes públicos, segundo relatório do LAV-UERJ. ✓
Citações da imprensa (2)
"No mês de maio de 2006, entre os dias 12 e 21, diversos municípios do Estado de São Paulo foram alvo de ataques coordenados contra agentes de estado e instituições públicas, desencadeados pela facção criminosa denominada Primeiro Comando da Capital, o PCC."
"Em retaliação, a partir do dia 12 de maio, a facção orquestrou rebeliões simultâneas em 74 penitenciárias e direcionou ataques nas ruas contra agentes públicos, delegacias, viaturas e bases policiais"
"O Cordão da Mentira é a alma do Movimento Mães de Maio", disse Débora Maria da Silva, fundadora do movimento e mãe de Edson Rogério Silva, morto pela polícia durante os Crimes de Maio. O coordenador Thiago Mendonça explicou que tradicionalmente o bloco sai no 1º de abril, "Dia da Mentira, dia do golpe de 64", mas decidiu fazer um ato extra pelos 20 anos do episódio. ✓
Citações da imprensa (1)
"O Cordão da Mentira é a alma do Movimento Mães de Maio. É através dele que a gente consegue ter combustível para seguir a luta o ano inteiro. O Cordão nos abraça. E ele escracha o que a gente vem denunciando. Ele também serve para a gente ter consciência de que a ditadura não acabou"
Segundo análise necroscópica citada pela CNN Brasil, as vítimas civis receberam em média quase cinco tiros cada, sendo 77% atingidas em regiões de altíssima letalidade como cabeça e tórax. Das vítimas, 96% eram homens com média de 27 anos. A ofensiva do PCC cessou em 14 de maio após negociação entre Estado e organização criminosa, mas teve início então "uma onda de resposta liderada por policiais fardados e grupos de extermínio", conforme relatou a Conectas Direitos Humanos. ✓
Citações da imprensa (2)
"O estudo também identificou uma média de quase cinco tiros por cada vítima. Os números mostram que 77% das vítimas receberam disparos em regiões de altíssima letalidade, como cabeça e tórax."
"Com o recuo do PCC, teve início uma onda de resposta liderada por policiais fardados e grupos de exterminio, que passaram a realizar ações nas periferias paulistas."
O ato ocorreu no sábado (16) na Avenida Paulista e reuniu Cordão da Mentira e Movimento Mães de Maio
Os Crimes de Maio resultaram em mais de 500 mortos, sendo a maior parte civis
Cobertos por apenas algumas fontes, ou onde os relatos divergem.
Cobertos por apenas algumas fontes (1)
O ato também incluiu protestos pela causa palestina, unificando com a luta contra a Nakba
Versões em conflito (1)
Duração exata dos Crimes de Maio
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Quantos policiais foram responsabilizados criminalmente pelos Crimes de Maio?
Por que ainda não se sabe: Nenhuma fonte cita números de condenações ou processos específicos contra agentes do Estado
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Qual foi exatamente o conteúdo da negociação que cessou os ataques do PCC?
Por que ainda não se sabe: Fontes mencionam negociação mas divergem nos detalhes específicos acordados
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Qual é o argumento mais forte contra a versão de execuções sistemáticas por policiais?
Por que ainda não se sabe: Nenhuma fonte apresenta versão contrária ou defesa oficial do Estado sobre as mortes