A Polícia Federal identificou um pagamento de R$ 14,2 milhões da Athena Real Estate LTDA — empresa ligada ao fundo EUV Gladiator do grupo Refit — para a Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis LTDA, de familiares do senador Ciro Nogueira (PP-PI). A transação foi detectada durante a Operação Sem Refino, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes em 15 de maio de 2026 para investigar esquemas de fraude e sonegação fiscal no setor de combustíveis. ✓
Citações da imprensa (2)
"O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu a pedido da Polícia Federal (PF) para a realização da Operação Sem Refino, na manhã desta sexta-feira (15), e determinou o cumprimento de mandados de busca e apreensão contra várias autoridades do Rio de Janeiro, bem como o afastamento do exercício de funções públicas. Na mesma decisão foi determinada a prisão preventiva do dono da Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, Ricardo Magro."
"A PF detectou a transferência de R$ 14,2 milhões da Athena, 'principal beneficiária' do fundo, para a empresa Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis. A contabilidade não informa o motivo do pagamento nem dá detalhes sobre o negócio, o que deve ser aprofundado em um próximo momento da investigação."
O senador confirmou o pagamento e disse que se refere à venda de 40 hectares em Teresina (PI) para construção de uma distribuidora de combustíveis. "O valor mencionado pelo repórter se refere à venda dessa área, situada em local altamente valorizado em Teresina, cuja venda foi regular e totalmente declarada junto aos órgãos competentes", afirmou em nota. Segundo Ciro Nogueira, ele detinha participação inferior a 1% na empresa familiar à época da negociação, em 2024. ✓
Citações da imprensa (1)
"O valor mencionado pelo repórter se refere à venda dessa área, situada em local altamente valorizado em Teresina, cuja venda foi regular e totalmente declarada junto aos órgãos competentes em valores condizentes com o mercado"
A Operação Sem Refino tem como principal alvo Ricardo Magro, dono da Refit e apontado pela Receita Federal como o maior devedor contumaz de impostos do Brasil, com dívidas que superam R$ 26 bilhões. A investigação apura um esquema de lavagem de dinheiro estruturado via factorings para "dar aparência de legalidade aos recursos oriundos de vendas subfaturadas de combustível pela refinaria às distribuidoras", segundo a Petição 16028 do STF. ✓
Citações da imprensa (1)
"o grupo criminoso, com o objetivo de dar aparência de legalidade aos recursos oriundos de vendas subfaturadas de combustível pela refinaria às distribuidoras, teria estruturado um circuito financeiro por meio das factorings YIELD FINANCIAL SERVICES S/A (CNPJ n. 19.872.663/0001-24) e ALPHA FINANCIAL S.A. (CNPJ n. 44.254.375/0001-53), responsáveis por centralizar os pagamentos dos postos revendedores"
Em entrevista posterior, Ciro Nogueira disse que "a própria empresa não pagou até o final, por isso não foi transferido até agora", contradizendo informações da PF que apontam o pagamento integral de R$ 14,2 milhões. A investigação também identificou repasses de R$ 1,3 milhão da Refit para Jonathas Assunção Salvador Nery de Castro, ex-secretário executivo da Casa Civil quando Ciro Nogueira foi ministro no governo Bolsonaro. ✓
Citações da imprensa (1)
"A própria empresa não pagou até o final, por isso não foi transferido até agora. Uma transação comercial mais do que lícita. Vocês vão ver que não tem nenhuma ilegalidade"
Ricardo Magro é o maior devedor contumaz de impostos do Brasil segundo a Receita Federal, com dívidas superiores a R$ 26 bilhões
Cobertos por apenas algumas fontes, ou onde os relatos divergem.
Cobertos por apenas algumas fontes (1)
Jonathas Assunção recebeu R$ 1,3 milhão da Refit quando era secretário executivo da Casa Civil sob Ciro Nogueira
Versões em conflito (1)
Status do pagamento de R$ 14,2 milhões
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Qual o status atual do pagamento — foi integral conforme a PF ou parcial conforme Ciro Nogueira?
Por que ainda não se sabe: Ciro Nogueira afirmou que o pagamento não foi concluído, mas a PF detectou transferência integral de R$ 14,2 milhões. A assessoria do senador não respondeu sobre essa divergência.
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Qual era exatamente a estrutura societária da empresa familiar na época da transação?
Por que ainda não se sabe: Ciro Nogueira diz que tinha participação inferior a 1%, mas não há detalhamento público da composição societária em 2024.
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Como funcionava o circuito financeiro entre os fundos Refit e as empresas de fachada?
Por que ainda não se sabe: A PF menciona estrutura via factorings YIELD e ALPHA, mas os detalhes operacionais do esquema ainda não foram divulgados publicamente.