O STF decidiu por unanimidade que professores temporários da rede pública devem receber o piso salarial nacional de R$ 5.130,63. A decisão foi motivada por um recurso de uma professora temporária de Pernambuco que recebia R$ 1,4 mil por 150 horas mensais. Antes, apenas professores efetivos tinham esse direito garantido.
O piso salarial nacional para professores da educação básica pública está previsto na Constituição e foi regulamentado pela Lei 11.738 de 2008, sendo atualizado anualmente pelo Ministério da Educação. Segundo dados do Censo Escolar apresentados durante o julgamento, cerca de 42% dos professores de escolas públicas do país são temporários, e uma em cada três prefeituras não paga o piso salarial nem mesmo para os efetivos.
A Corte entendeu que a contratação massiva de temporários para reduzir custos contraria o objetivo constitucional de valorizar os professores, prejudicando o ensino e a estabilidade profissional [1].
O Supremo Tribunal Federal decidiu, em 16 de abril de 2026, que o piso salarial nacional do magistério, previsto na Constituição e regulamentado pela Lei 11.738/2008, aplica-se a todos os professores da educação básica pública, independentemente de serem efetivos ou temporários [1]. A decisão, que tem efeito vinculante, foi tomada por unanimidade pelo Plenário do STF no julgamento do Recurso Extraordinário com Agravo (ARE) 1487739, com repercussão geral (Tema 1.308) .
O fundamento central do Tribunal foi que a Constituição Federal não restringe o piso aos profissionais efetivos, mas alcança todos os profissionais do magistério, independentemente do tipo de vínculo contratual [1]. O relator, ministro Alexandre de Moraes, argumentou que a prática de contratar temporários em massa para reduzir custos contraria a razão da Constituição Federal, que, ao estabelecer o piso, buscou fomentar o sistema educacional por meio da valorização dos professores . Ele destacou que essa proliferação de contratações temporárias prejudica o planejamento orçamentário do ente federativo e acarreta ônus excessivo ao docente contratado nessas condições, com salários menores, instabilidade profissional e menos direitos trabalhistas. Além disso, a alta rotatividade dificulta o processo de ensino e aprendizagem .
O julgamento foi conduzido pelo Plenário do STF, com decisão unânime [1]. O ministro Alexandre de Moraes atuou como relator do recurso, e o ministro Flávio Dino acompanhou o relator, propondo um adendo que estabeleceu um limite de 5% para a cessão de professores efetivos a outros órgãos dos três Poderes, em relação ao quadro efetivo de cada unidade federada, como forma de evitar a substituição excessiva por temporários . O caso concreto teve origem em ação proposta por uma professora temporária contra o Estado de Pernambuco .
A Lei 11.738/2008, que instituiu o piso salarial nacional, regulamenta dispositivo constitucional para garantir um valor mínimo nacional para o vencimento inicial dos professores, aplicável também a aposentados e pensionistas, com implementação progressiva e complementação financeira da União para entes sem recursos [2]. A lei busca uniformizar e elevar os patamares salariais da categoria docente em todo o país, reduzindo desigualdades regionais e valorizando a profissão docente como estratégia para melhoria da educação básica .
Fontes
- STF — Notícia oficial do julgamento, "Professor temporário tem direito ao piso salarial do magistério, decide STF": https://noticias.stf.jus.br/postsnoticias/professor-temporario-tem-direito-ao-piso-salarial-do-magisterio-decide-stf/
- Presidência da República — Texto integral da Lei 11.738/2008: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/Lei/L11738.htm
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O piso salarial nacional para 2026 é de R$ 5.130,63 para jornada de 40 horas semanais
O piso é atualizado anualmente pelo Ministério da Educação
O piso está previsto na Constituição e foi regulamentado pela Lei 11.738 de 2008
Cerca de 42% dos professores de escolas públicas são temporários
Uma em cada três prefeituras não paga o piso para professores efetivos
A professora de Pernambuco recebia cerca de R$ 1,4 mil para 150 horas mensais
O STF limitou a cessão de professores efetivos para outros órgãos em 5% do quadro
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Entre 2013 e 2024 houve queda no número de professores efetivos e aumento de temporários
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Em alguns estados os temporários chegam a 80% do quadro docente
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